O governo do Estado deve licitar até março a obra de duplicação da PR-445, de Londrina ao Distrito de Guaravera. É o que garantiu o governador Beto Richa (PSDB), durante entrevista à Folha de Londrina aos repórteres Loriane Comeli e Nelson Bortolin na última quarta-feira (4). Segundo ele, o Estado pretende duplicar toda a rodovia, até Mauá da Serra, em lotes de 25 quilômetros. A distância total é de 83 quilômetros.

Na conversa com a reportagem, Richa minimizou os problemas ocorridos na duplicação do trecho urbano da estrada. “O importante é que a obra ficou muito boa e, segundo informações, foram reduzidos em 70% os acidentes na 445”, disse.

Questionado sobre o fato de Londrina apresentar indicadores econômicos ruins na comparação com os demais municípios do Estado, o tucano lembrou que os prefeitos da cidade têm de “fazer sua parte”, “atrair os investimentos”. Sem dar detalhes, disse que trabalha para trazer um investimento privado de R$ 150 milhões para a cidade.

Sobre os vários aumentos de impostos em seu governo, o tucano alega que as alíquotas de ICMS paranaenses estavam abaixo das aplicadas em outros estados. E garantiu que terá uma relação “muito boa” com o novo prefeito de Londrina, Marcelo Belinati (PP), que derrotou o candidato tucano Valter Orsi nas eleições de outubro passado. “Ele (Belinati) veio, de braços abertos, propondo uma boa parceria em favor da cidade”, disse.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Começou a vigorar dia 1º de janeiro a nova alíquota de ICMS dos remédios. O senhor já tinha elevado impostos de muitos produtos anteriormente. Até o fim do seu mandato, teremos outros aumentos ou existe a possibilidade de que as alíquotas antigas sejam retomadas?
Essa alíquota dos remédios foi feita em comum acordo com as entidades, sindicatos que representam os farmacêuticos. Foi igualada à dos demais estados. Aqui era 12%. Agora foi para 18% com redutor e vai permitir aos farmacêuticos que possam continuar dando desconto na venda de medicamentos. Foi em comum acordo com o setor, igualando com os demais estados do País. Não vejo problema porque é o que é praticado no resto do Brasil. Também haviam alíquotas mais baixas em relação a vários produtos.

Essas alíquotas continuarão assim ou existe possibilidade de redução?
Existe possibilidade. Tem havido redução sistematicamente. Quando nós mexemos em algumas alíquotas durante o ajuste fiscal, nós anunciamos que aqueles segmentos que tivessem alguma dificuldade de competitividade em relação aos demais estados, nós poderíamos rever aquela majoração. E aconteceu com vários segmentos.

O governo está aberto para essa negociação?
Sempre aberto. Nossa equipe econômica, liderada pelo secretário da Fazenda, o Mauro Ricardo, tem tido reuniões seguidas com esses setores e as entidades que o representam.

Servidores do Estado já começam a se mobilizar por reposição da inflação. Como será a negociação este ano?
Primeiro, é importante destacar que o Paraná é o único estado do Brasil que deu reajuste aos servidores. Não é possível que não haja um reconhecimento diante desta profunda crise financeira. Nós demos e não estou falando de um ou dois ou três por cento. Foram 10,67% de reajuste. Tem que haver reconhecimento. O dinheiro vem de um lugar só. Eu não vou prejudicar toda uma população de 11,5 milhões de paranaenses para atender exclusivamente os interesses apresentados pelos sindicatos que representam os servidores. Eu estaria sendo irresponsável com o meu Estado.

A região de Londrina praticamente não se beneficiou do Programa Paraná Competitivo, que visa a atração de investimentos privados. As novas empresas se concentraram na Região Metropolitana de Curitiba e nos Campos Gerais. O senhor já disse que os empresários que procuram o programa alegam não querer se instalar longe do Porto de Paranaguá. O governo não tem como oferecer incentivos maiores para as empresas investirem no interior?
Muitos acham que quem decide, quem indica o local de instalação de um empreendimento, de uma indústria, é o governador. Não é. São as empresas que escolhem o melhor lugar, o mais adequado, o mais barato, para fazer os seus investimentos. E logicamente que muitas indústrias, pelo menos as de grande porte e aqueles que trabalham com exportação, preferem a proximidade com o Porto de Paranaguá. Eu fiz um esforço hercúleo para levar investimentos para Londrina, para o Norte do Estado, até porque é minha terra natal. Eu sei que há muito tempo há esta cobrança. O secretário de Fazenda meu, por um bom tempo foi o Hauly (deputado federal tucano Luiz Carlos Hauly). Nós dois juntos fizemos todos os esforços necessários para que Londrina fosse contemplada. Foram algumas empresas de médio porte ou pequenas, mas não no volume que nós esperávamos. O que que eu posso fazer para isso? É melhorar a infraestrutura (de Londrina). Isso nós temos feito. Eu até sinalizei, acho que na penúltima vez que aí estive, a possibilidade – e assim me foi a promessa de um empresário – de trazer um investimento em torno de R$ 150 milhões na cidade, de uma grande indústria nacional, que inclusive exporta bastante. Mas, eu estou aguardando ainda a decisão para os próximos dias.

Os índices de desenvolvimento de Londrina são muito ruins se comparados com outras cidades de médio porte, como Maringá. Qual sua opinião, como londrinense? O que aconteceu com a cidade?
Isso vai muito da prefeitura. Os investimentos que houve em Maringá, o prefeito foi atrás, foi ágil, conseguiu atrair investimentos. Lá tem a vocação já há muito tempo da indústria têxtil, que gera muitos empregos e desenvolvimento na cidade de Maringá, e em todo o Noroeste. Cianorte tem emprego pleno graças a essa vocação para a área têxtil. Estive visitando várias confecções e facções naquela região. Então, tem isso também: o prefeito tem que fazer sua parte, atrair os investimentos, ver quais são as exigências, e tentar equilibrar, equalizar esta situação sempre defendendo o interesse público. Você me perguntou sobre a diferenciação de incentivos. O nosso programa Paraná Competitivo prevê isso. Os incentivos são maiores à medida que os investimentos vão para o interior do Estado, para cidades e regiões mais deprimidas economicamente, com os menores índices de desenvolvimento humano. É um cálculo bastante complexo para definir qual será o benefício fiscal que essa empresa vai receber.

Por que houve tantos problemas na obra de duplicação da PR-445?
Quando eu assumi o governo, essa foi a maior solicitação, a maior demanda dos londrinenses em relação ao meu governo. Lembrando que nenhum governo para trás tratou deste assunto. Eu me sensibilizei com esta causa e resolvi comprar esta briga e coloquei no programa Proinvest. E vocês devem se lembrar o que aconteceu com o Proinvest. É um programa lançado pelo governo federal anterior, que previa investimentos na área de infraestrutura aos estados brasileiros. Eu sofri um forte perseguição. Dentre as obras que foram prejudicadas foi a obra em Londrina, que eu iniciei porque tinha pressa. Então, iniciei as obras contando que o dinheiro saísse, como saiu para todos os estados do País sem exceção. Passou um ano, passaram dois anos (e a verba federal não chegou). Nós fomos bancando esta obra com dificuldade. Daí, veio a crise, a obra atrasou, os pagamentos foram atrasando. Uma empreiteira causou problemas, paralisou a obra. Houve problema de rachadura da intercessão da Via Expressa, da Waldemar Spranger, também. Mas já está resolvido. O papel do Estado é tomar a iniciativa, é fazer a licitação, mas quem venceu a licitação é esta empresa, e não o Estado. A nós cabe fiscalizar, cobrar a qualidade da obra e fazer o pagamento por ela. Enquanto a obra não estiver em perfeitas condições, nós não vamos pagar por ela. Existe hoje um reconhecimento da empresa que houve sim rachaduras. Nós contratamos laudos técnicos de professores e engenheiro da UEL e também da USP e ambos ali chegaram à conclusão de que devem ser feitos alguns reparos, que a empresa já vai fazer.
O importante é que a obra ficou muito boa e, segundo informações, foram reduzidos em 70% os acidentes na 445. Quero lembrar, também, que nós estamos para fazer a licitação para estender, dar continuidade a esta obra, em direção a Mauá. O primeiro trecho seria até Guaravera. Devemos iniciar uma licitação até março e fazer por trechos de 25 quilômetros (a distância entre Londrina e Mauá da Serra é de 83 quilômetros).

Empresários da região de Londrina se organizaram contra o cancelamento da obra do Contorno Norte. Ela não vai mesmo sair?
Em dezembro, o nosso diretor-geral do DER (Departamento de Estradas de Rodagem) e alguns deputados estiveram numa reunião com entidades do setor produtivo, com todas as lideranças que quiseram participar. E me falaram que explicações dadas pelo diretor-geral do DER, o engenheiro Nelson Leal, foram aceitas por todos. É um projeto muito ultrapassado. Vou além, acho que é um engodo, porque não resolve o problema do contorno de Londrina. O projeto é de uma pista simples. Não vai resolver nada, absolutamente nada do fluxo do trânsito da região. E todos concordaram com a argumentação e exposição do projeto que foi apresentado pelo diretor-geral do DER. Esse projeto não serve para resolver o problema do contorno de Londrina. Além do que, precisaríamos ali de centenas de milhões de reais para desapropriação de áreas urbanas para conseguir fazer esse projeto que não vai resolver.

O senhor já conversou com o novo prefeito de Londrina, Marcelo Belinati (PP). Como é sua relação com ele?
A relação com o Marcelo é muito boa. Na eleição anterior (2012), nosso partido o apoiou (no ano passado, o PSDB teve candidato próprio, Valter Orsi). Ele já me procurou várias vezes, já esteve aqui no meu gabinete, conversamos, uma conversa muito boa, uma conversa responsável em altíssimo nível, pensando no interesse exclusivo da cidade de Londrina. Depois estive em Londrina, conversei com ele também, de novo. Ele disse que reconhece todos os expressivos investimentos que o meu governo faz na cidade e a preocupação dele é que esses investimentos continuariam. Eu falei: “Você pode ter certeza que os investimentos continuam e, se possível, se depender da minha vontade e do ajuste que nós estamos fazendo, o desejo é investir ainda mais na cidade de Londrina. Então, ele veio, de braços abertos, propondo uma boa parceria em favor da cidade de Londrina, grandes ideias, projetos, propostas que ele tem para administrar a cidade. Eu disse a ele que pode contar com meu apoio, com meu entusiasmo e tudo o que estiver ao meu alcance para auxiliar na sua administração.

O senhor citou a possibilidade de trazer um novo investimento de R$ 150 milhões. Que mais o senhor pode falar a respeito?
Eu prefiro não adiantar até porque vai que não acontece. Depois, posso ser cobrado, porque não depende de mim, depende da empresa. Posso te garantir que eu pedi que este investimento seja em Londrina.

(foto: Jaelson Lucas/ANPr)

link entrevista
http://www.folhadelondrina.com.br/politica/richa-diz-que-vai-duplicar-pr-445-ate-guaravera-967278.html