A vereadora Maria Letícia (PV), presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, recebeu nesta segunda-feira (16) a medalha Mietta Santiago, aprovada pela Câmara dos Deputados, em razão do trabalho na organização MaisMarias, que atua no combate à violência contra a mulher. Maria Letícia é a primeira paranaense a receber a honraria. “Muito agradecida pela iniciativa da deputada federal Leandre Dal Ponte. A medalha me motiva a lutar ainda mais pelo enfrentamento à violência”, disse.

“A Dra Maria Letícia sabe das peculiaridades da violência cometida contra as mulheres. É criadora do projeto Mais Marias que realiza inúmeras palestras e encontros nos bairros de Curitiba e nos municípios da região metropolitana e no interior do estado do Paraná. O projeto levou informação e saúde para centenas de mulheres”, destacou durante a homenagem a deputada Leandre Dal Ponte.

“Estar aqui homenageando uma mulher que se dedicou mesmo sem mandato e apoio, a disseminar informações e envolver mulheres para que conheçam seus direitos e com isso se empoderem, traz a esperança de que outras Marias unam-se a esse exemplo para fazer a diferença em suas comunidades, é uma luta difícil: muitas portas estão fechadas e poucas são as que se abrem”, disse Leandre

Defesa das Mulheres

A medalha Mietta Santiago é conferida é a pessoas que se destacam no Brasil na defesa dos direitos das mulheres. “A medalha recebeu o nome de Mietta Santiago pela luta histórica daquela mineira nascida em 1903 , graduada em direito que reconheceu uma injustiça contra as mulheres que impedia que participassem da vida política, por isso em 1928 entrou na justiça e obteve sentença que lhe permitiu votasse em si mesma para um mandato de deputada federal. Mietta foi a primeira a exercer, plenamente, os seus direitos políticos. Na eleição de 1932, esse direito foi garantido e instituído no Código Eleitoral pelo presidente Getúlio Vargas e, desde então, as mulheres têm tido oportunidade de participar das decisões que influenciam a vida de todos, embora ainda haja muito no que avançar”, lembra Leandre Dal Ponte.

“Essa Câmara Municipal que possui 8 mulheres e 30 homens com a maior bancada feminina da história de curitiba, mas ainda longe do que as Nações Unidas consideram como justo, no Brasil são mais de 2,2 mil câmaras municipais que não possuem sequer uma mulher, em Brasília somamos 55 mulheres e 458 homens, estamos atrás de 154 países no mundo e mesmo na América do Sul estamos na lanterna de todos os nossos vizinhos”, informa a deputada federal pelo partido verde do Paraná .

“Lutamos para que as meninas cresçam com segurança, se tornem mulheres em um país mais justo e que tenha em sua velhice o respeito de todos. Agradeço a vereadora maria letícia pela sua luta, a primeira paranaense a receber a medalha Nieta Santiago”.

Mietta Santiago

Maria Ernestina Carneiro Santiago Manso Pereira, mais conhecida como Mietta Santiago, era mineira e foi escritora, advogada e feminista da Primeira Onda – movimento do século XIX e começo do século XX, marcado pela busca de direitos políticos, trabalhistas e civis igualitários.

Em 1928, notou que a proibição ao voto feminino contrariava o artigo 70 da Constituição da República Federativa dos Estados Unidos do Brasil (1891),que dizia: “São eleitores os cidadãos maiores de 21 anos que se alistarem na forma da lei”, sem qualquer discriminação de sexo. Com base nisso, Mietta impetrou, como advogada, Mandado de Segurança e obteve sentença que lhe permitiu votasse em si mesma para um mandato de deputada federal.

Mietta foi a primeira a exercer, plenamente, os seus direitos políticos: direito político ativo (votar), amparado em sentença, fundada em direito líquido e certo previsto na Constituição Federal, e também direito político passivo (ser votada).

Mietta Santiago teve atuação de grande visibilidade em sua época, sendo inclusive homenageada pelo escritor Carlos Drummond de Andrade no seu poema Mulher Eleitora:

“Mietta Santiago
loura poeta bacharel
Conquista, por sentença de Juiz,
direito de votar e ser votada
para vereador, deputado, senador,
e até Presidente da República,
Mulher votando?
Mulher, quem sabe, Chefe da Nação?
O escândalo abafa a Mantiqueira,
faz tremerem os trilhos da Central
e acende no Bairro dos Funcionários,
melhor: na cidade inteira funcionária,
a suspeita de que Minas endoidece,
já endoideceu: o mundo acaba”